Fonte: unsplash
- Estudos apontam que a inteligência artificial já afeta a empregabilidade de jovens em início de carreira;
- Profissionais entre 18 e 29 anos enfrentam menor chance de conseguir emprego e impacto na renda;
- Empresas passaram a exigir competências digitais e habilidades analíticas dos candidatos;
- Instituições de ensino são pressionadas a adaptar cursos para preparar profissionais para a nova realidade;
- Habilidades socioemocionais ganham importância diante do avanço da automação;
- RHs investem em requalificação e desenvolvimento para acompanhar as transformações do mercado.
O avanço da inteligência artificial (IA) começa a produzir efeitos concretos sobre o mercado de trabalho brasileiro, especialmente para quem busca o primeiro emprego ou possui pouca experiência profissional. Pesquisas divulgadas neste ano indicam que jovens trabalhadores estão entre os grupos mais impactados pela automação de atividades que antes eram desempenhadas em funções de entrada.
O cenário tem despertado a atenção de empresas, profissionais de recursos humanos e instituições de ensino, que discutem formas de preparar a nova geração para um mercado cada vez mais tecnológico e orientado por competências digitais.
Jovens encontram mais dificuldade para ingressar no mercado
Levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) mostra que trabalhadores entre 18 e 29 anos passaram a enfrentar maiores dificuldades para conseguir emprego com a expansão das ferramentas de inteligência artificial.
Segundo o estudo, esse grupo possui quase 5% menos chances de conquistar uma vaga em comparação ao período anterior ao avanço dessas tecnologias, indicando que a automação já influencia o processo de contratação em diversas áreas.
Além da empregabilidade, os pesquisadores também identificaram impactos sobre os rendimentos dos profissionais mais jovens, especialmente em ocupações onde parte das tarefas passou a ser realizada por sistemas automatizados.
Perfil das vagas está mudando
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A transformação provocada pela inteligência artificial não se limita à redução de determinadas funções. Especialistas afirmam que as empresas passaram a buscar profissionais com um conjunto diferente de competências.
Além do conhecimento técnico específico da profissão, cresce a valorização de habilidades relacionadas ao uso de tecnologias digitais, interpretação de dados, pensamento crítico e capacidade para solucionar problemas complexos.
Com isso, diversas atividades operacionais que tradicionalmente serviam como porta de entrada para novos profissionais estão sendo automatizadas, reduzindo oportunidades de aprendizado inicial dentro das organizações.
Entrada no mercado exige maior qualificação
A substituição de tarefas repetitivas por ferramentas de inteligência artificial faz com que os candidatos precisem chegar ao mercado de trabalho mais preparados do que em anos anteriores.
Funções administrativas, atendimento ao cliente, apoio operacional e produção de conteúdo estão entre as áreas que já convivem com maior nível de automação, exigindo dos profissionais conhecimentos adicionais para atuar em conjunto com essas tecnologias.
Educação precisa acompanhar a transformação
As mudanças também atingem universidades, escolas técnicas e programas de capacitação profissional. Especialistas defendem que o ensino passe a incorporar o uso da inteligência artificial durante a formação dos estudantes.
O objetivo é preparar futuros profissionais para utilizar essas ferramentas como apoio às atividades diárias, desenvolvendo competências que complementem, e não concorram, com a automação.
Ao mesmo tempo, cresce a importância das chamadas habilidades socioemocionais, como criatividade, comunicação, liderança, trabalho em equipe e capacidade de adaptação, características consideradas menos suscetíveis à substituição por sistemas inteligentes.
Conhecimentos em tecnologia ganham destaque
Entre as competências mais valorizadas pelas empresas estão conhecimentos relacionados à inteligência artificial, análise de dados, automação de processos e programação. Mesmo profissionais que atuam em áreas tradicionais têm sido incentivados a desenvolver familiaridade com essas ferramentas.
A tendência é que a combinação entre conhecimento técnico da profissão e domínio de tecnologias digitais se torne um diferencial importante nos processos seletivos dos próximos anos.
Empresas investem em requalificação
As mudanças também alteram a atuação dos departamentos de Recursos Humanos. Muitas organizações passaram a investir em programas de requalificação (reskilling) e aperfeiçoamento profissional (upskilling), buscando preparar colaboradores para novas funções que surgem com a digitalização dos processos.
Embora a inteligência artificial contribua para aumentar a produtividade, especialistas destacam que ela não elimina a necessidade de mão de obra qualificada. O principal efeito observado é a transformação das atividades desempenhadas e a exigência de constante atualização profissional.
Mercado passa por adaptação
O avanço da inteligência artificial representa uma mudança estrutural na forma como empresas recrutam, treinam e desenvolvem seus colaboradores. Para profissionais, empregadores e instituições de ensino, acompanhar essa evolução será fundamental para manter a competitividade e ampliar as oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
Fonte
As informações desta matéria têm como base estudos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e reportagens publicadas pelo G1 e pela Folha de S.Paulo.
Escrito por Anderson Fernandes
Advogado | Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho
Atuação em direito do trabalho contencioso e consultivo, instrumentos coletivos e gestão de riscos trabalhistas
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