Resumo rápido
  • Brasil registrou 1.843.604 acidentes de trabalho entre janeiro de 2023 e maio de 2026;
  • Somente nos cinco primeiros meses de 2026 foram contabilizadas 222.139 ocorrências;
  • Homens e trabalhadores de 20 a 49 anos concentram a maior parte dos registros;
  • Sudeste e Sul respondem por mais de 72% das notificações no período;
  • Ampliação da notificação obrigatória contribuiu para aumentar os registros oficiais;
  • Especialistas defendem fortalecimento das ações de prevenção e fiscalização.

O Brasil contabilizou 1.843.604 acidentes de trabalho entre janeiro de 2023 e maio de 2026, conforme levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), elaborado com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. Apenas entre janeiro e maio de 2026 foram registrados 222.139 casos, demonstrando que os acidentes laborais continuam representando um importante desafio para a saúde e segurança dos trabalhadores.

Os dados foram divulgados durante a semana em que é celebrado o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho, em 27 de julho, destacando a necessidade de ampliar iniciativas voltadas à prevenção e ao fortalecimento das políticas públicas na área.

Nova regra ampliou o número de notificações

Segundo a Anamt, o crescimento dos registros também decorre da Portaria nº 217/2023, do Ministério da Saúde, que passou a exigir a notificação de todos os acidentes de trabalho atendidos pelos serviços de saúde.

Antes da mudança, a obrigatoriedade alcançava apenas acidentes graves, fatais e casos envolvendo crianças e adolescentes. Com a alteração, os dados passaram a refletir de maneira mais ampla a realidade dos acidentes ocupacionais registrados no país.

Mesmo com a ampliação da obrigatoriedade, especialistas alertam que ainda pode existir subnotificação, principalmente em atividades exercidas na informalidade, onde muitos casos deixam de ser comunicados aos sistemas oficiais.

Homens e adultos concentram a maioria dos casos

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O estudo aponta que 74,7% dos acidentes envolveram trabalhadores do sexo masculino. A maior concentração de ocorrências está na faixa etária entre 20 e 49 anos, grupo que representa grande parte da população economicamente ativa.

Especialistas explicam que esse perfil está relacionado à maior presença desses trabalhadores em setores com maior exposição a riscos, como construção civil, indústria, transporte e atividades operacionais.

Os números reforçam a importância de campanhas permanentes de conscientização e de medidas preventivas direcionadas aos segmentos com maior incidência de acidentes.

Sudeste e Sul lideram os registros

A distribuição dos acidentes acompanha a concentração da atividade econômica e do emprego formal. As regiões Sudeste e Sul respondem por 72,6% das notificações registradas no período analisado.

São Paulo aparece como o estado com o maior volume de acidentes de trabalho. Entretanto, especialistas observam que a maior estrutura de notificação existente nessas regiões também influencia os resultados, ampliando a capacidade de registro dos casos.

Impactos atingem trabalhadores e empregadores

Os acidentes de trabalho provocam consequências que vão além dos danos à saúde. Entre os principais efeitos estão afastamentos das atividades, redução da produtividade, aumento dos custos empresariais e maior demanda por benefícios previdenciários.

Em diversas situações, os trabalhadores necessitam de tratamento prolongado ou ficam temporariamente incapacitados para exercer suas funções, exigindo reorganização das equipes e substituição da mão de obra.

Prevenção continua sendo o melhor caminho

Especialistas destacam que reduzir os acidentes exige o comprometimento conjunto de empresas, trabalhadores e poder público. A criação de uma cultura de prevenção é considerada essencial para diminuir riscos e preservar a saúde ocupacional.

Entre as principais medidas estão a identificação dos riscos existentes, treinamentos frequentes, fornecimento e fiscalização do uso correto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), manutenção preventiva de máquinas e cumprimento das Normas Regulamentadoras (NRs).

A emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) permanece fundamental para assegurar os direitos do trabalhador e contribuir para a produção de estatísticas que orientam políticas de prevenção.

Dados ajudam a direcionar políticas públicas

Para a Associação Nacional de Medicina do Trabalho, o aumento das notificações permite conhecer com maior precisão os setores econômicos mais afetados e identificar os grupos de trabalhadores mais vulneráveis.

Essas informações contribuem para o planejamento de ações de fiscalização, programas de capacitação e investimentos em prevenção, favorecendo a redução de acidentes, afastamentos e mortes relacionadas ao trabalho.

Com estatísticas mais completas e monitoramento contínuo, especialistas avaliam que será possível desenvolver estratégias mais eficazes para promover ambientes de trabalho cada vez mais seguros.

Fonte

As informações desta matéria foram divulgadas pela Agência Brasil, com dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) e do Ministério da Saúde.